Notícias
08/12/2016
Faleceu no último dia 30 de novembro a Professora Doutora Berta Lange de Morretes.

Cidadã de Morretes, município do estado do Paraná, cujo nome da cidade foi adicionado ao nome da família pelo seu pai, Frederico Lange de Morretes, em homenagem à cidade em que nasceu. Doutora Berta como os amigos e alunos a chamam, aos seus 99 anos de idade e 74 anos de como professora da USP continua “na ativa” como gosta de dizer, mantem-se fiel ao compromisso que assumiu ao ingressar na USP em 1941.

Aluna do curso de História Natural da USP de 1938 a 1941, Berta conviveu com os pioneiros da ciência em São Paulo, como os professores Félix Rawitscher (botânica) André Dryfus (genética) Ernst Marcus (zoologia) e Ettore Onorato (mineralogia). Ao longo de sua carreira como professora e pesquisadora esteve lado a lado com expoentes da botânica internacional, como Katherine Esau, Adrience Foster, Ernest Gifford, Vernon Cheadle, Alden Crafts.

Sua paixão pela botânica foi despertada, ainda enquanto estudante, quando viu a vegetação do cerrado paulista pela primeira vez. Fez Pós-Doutorado em Anatomia vegetal na University of California e livre-docência na USP, em 1980, com o trabalho “Contribuição ao conhecimento da Anatomia Ecológica de Plantas do Cerrado de Emas-SP e da Caatinga Amazônica do Km 62 da rodovia 174.

A dupla Berta Lange de Morretes em São Paulo e Dr Fernando Romano Milanez no Rio de Janeiro iniciaram os estudos de Anatomia vegetal no Brasil. A Dra Berta será para todas as gerações de botânicos brasileiros a “celular mater” da Anatomia Vegetal no Brasil. É pioneira em estudos de anatomia ecológica de plantas do Cerrado e das Campinaranas (Caatingas da Amazônia), e, formadora e nucleadora de novos apaixonados pela organização interna das plantas em todas as regiões fisiográficas brasileiras. Ao citá-la na Enciclopédia ”Plant Anatomy” Napp-Zinn (1974) afirma textualmente que, se não fossem os trabalhos de Berta em anatomia, praticamente nada se saberia sobre a estrutura dos vegetais que integram os ecossistemas brasileiros.

Incutiu em seus alunos a paixão pela anatomia ecológica e funcional. Orientou 29 dissertações de mestrado, e 21 teses de doutorado. Os alunos que orientou  são os grandes multiplicadores de seus ensinamentos em todas regiões do Brasil.

Aos seus 74 anos de carreira, demonstrou ampla produção acadêmica e científica e expressiva atividade docente. Dedica até hoje sua vida ao conhecimento científico participando de eventos, ministrando cursos de anatomia vegetal e realiza doação anual para a premiação “Premio Painel”, instituído em 2001 pelo CRBio-1.

Como sócia fundadora da Sociedade Botânica do Brasil, em 1950, participou do grupo de trabalho, que estabeleceu os objetivos da SBB, junto com Alarich Schultz, Dalvo de Mattos Dedeca, Frederico Brieger e Mario Guimarães Ferri. Sua participação relevante na Sociedade nos é referência científica e sua presença, sempre constante nos congressos anuais de Botânica participando de conferencias, mesas redondas e discussões, uma referência como pessoa e formadora.

Nossas eternas saudações

SBB Dezembro de 2016

EVENTOS
REVISTA ACTA